Os dois lados do perfeccionismo no ambiente de trabalho

Foi-se o tempo em que o perfeccionismo era visto como o segredo do sucesso no mercado de trabalho. A característica traz, sim, vantagens na vida profissional, como determinação, comprometimento, responsabilidade e excelência nas entregas. Porém, elas também podem vir acompanhadas de insegurança, ansiedade e estresse.

Segundo a psicóloga, coach e fundadora da Viva Desenvolvimento Humano, Marcia Ramires, o perfeccionismo torna-se prejudicial quando traz autocobrança elevada e frustração ao errar de maneira constante. “Pode ser nocivo quando gera retrabalho e a busca obsessiva pela perfeição, que não existe. A pessoa prende-se em melhorar aquilo que já está excelente”, comenta.

Outro aspecto que impacta o desempenho e o ambiente de trabalho é a centralização de atividades por não confiar no outro. “A sobrecarga física, emocional e o estresse impossibilitam a boa performance. Por isso, é importante confiar nos colegas e estar aberto para enxergar que o outro pode contribuir e você pode aprender com ele. Não queira carregar o mundo nas costas, porque ele não cabe”, destaca.

A preocupação excessiva em fazer cada vez melhor pode inclusive levar à procrastinação. “A pessoa fica tão obsessiva que sofre para começar um trabalho. O medo da opinião das outras pessoas e de não cumprir às próprias expectativas podem ser paralisantes”, explica.

Sendo assim, o perfeccionismo pode mascarar questões mais sérias, como a autoestima, por exemplo. “A sensação de incompetência fica grudada, porque por mais que os outros elogiem a tarefa ou projeto isso nunca é suficiente, sempre fica o sentimento de fracasso”, diz a psicóloga.

Perfeccionismo saudável

Quando o perfeccionista tem ciência do seu perfil e trabalha a tolerância e a auto aceitação, a característica pode ser bastante favorável. A pessoa passa a buscar a excelência e não a perfeição.

“O perfeccionismo saudável pode ser muito positivo para o desempenho, uma vez que o indivíduo investe tempo e energia para evoluir e melhorar e encara os desafios como uma forma de crescimento. Além de serem detalhistas e caprichosos”, enfatiza Marcia.

Equilíbrio

Segundo a profissional, o primeiro passo para o perfeccionista viver uma vida mais equilibrada com suas cobranças e emoções é entender seu perfil, os ônus e bônus de ser quem é. “É necessário trabalhar internamente que ouvir críticas, confiar nas pessoas e delegar tarefas fazem parte da rotina e permitem aprendizado e crescimento profissional”, afirma.

É primordial elaborar que a perfeição não existe e entender quais são os medos que perturbam a mente diante da possibilidade de não ter ou fazer as coisas perfeitamente. “A pessoa deve ser mais flexível com ela mesma, entender que todos nós estamos em desenvolvimento constante. Um dos caminhos é trabalhar a inteligência emocional através de terapia, participação em palestras e workshops, por exemplo”, comenta a profissional.

Outra dica é ampliar a escuta para os elogios das outras pessoas e aceitá-los como verdade. “Tire o chicote do autoflagelo da mão. Quando vier a auto cobrança, mude o pensamento negativo automático para ‘estou fazendo o meu melhor’”, completa.